terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A ciência do Seva

 

No dia 8 de julho de 2012, poucos dais atrás, estava lendo o encarte de opiniões do New York Times. O título dizia “não seja condescendente, seja feliz” – “Don’t Indulge Be Happy.”. Eu estava ocupado com meu café da manhã e não me interessei pelo artigo, pensando ser mais uma daquelas psicologias pop que tanto conhecia dos turbulentos anos 60.

Mais tarde eu peguei o artigo para ler e sua mensagem bateu direto entre meus olhos – Eu teria dito que o artigo tinha por alvo meu terceiro olho, se tivesse um. O fato é que o conteúdo falou diretamente para os fundamentos de meu dharma.

Este artigo foi escrito por dois acadêmicos: Elizabeth Dunn, professora de psicologia da Universidade de British Columbia e Michael Norton, professor associado da Harvard Business School. A metodologia da pesquisa parece consistente com as regras da academia e sua tese certamente abre algumas janelas na mente. Os resultados mostram, de maneira convincente, que “uma vez você tenha atingido um ganho anual de, digamos, $75.000 (dólares), ganhar mais não necessariamente ajuda. (nos tempos atuais? Eu questionei). Eles continuam: “mesmo crianças sentem-se melhor quando compartilham o que têm.” Os resultados deles apontam para o fato de que o dinheiro é essencial, mas depois de um limite razoável, seu excesso ou concessão sem limites não parece ajudar em nada. E se pensar bem, a linha de corte da pesquisa, $75.000 anuais, não é assim algo inalcançável ou coisa de rico.

Para mim dinheiro significa um meio; criticamente importante mas não um fim em si mesmo.

Por mais estranho que possa parecer, ou até mesmo ilógico, os resultados da pesquisa dizem claramente que, a felicidade foi encontrada mais intensamente e de forma mais duradoura em pessoas que gastaram seu dinheiro mais com outros do que consigo mesmas. A pesquisa mostra também que, em lugar de apenas comprar mais, estaremos mais bem servidos se comprarmos menos para nós mesmos e comprarmos mais para outros. Os pesquisadores esclarecem com os resultados que, excesso de gasto não satisfaz a longo prazo. Isto me fez lembrar da frase do Jaap Ji (oração matinal, Jaap Ji, Guru Granth p.1) que diz “Bhukyaa(n) bhukh na utrae jay banna purya(n) paar…” nossas “necessidades” são poucas e simples e nossas “demandas” são infindáveis.

Quando os pesquisadores descobriram que existe mais alegria em compartilhar do que em simplesmente ser complacente com gastos excessivos, eu imediatamente gravito em direção ao alicerce estrutural do estilo de vida do Sikh Dharma: ganhar honestamente seu dinheiro, compartilhar com os outros, e ambos guiados pela consciência da presença do Infinito em nós, e da conectividade que ela permite. Estes são os fundamentos de uma sociedade estável, progressiva e igualitária.

Seva é o conceito do Sikh Dharma (Sikhi) que se baseia no compartilhar a propria vida com outros. Seva é o doar para os que estão em necessidades, não apenas porque eles precisam, mas sobretudo, porque fazer isto responde à nossa necessidade interna de compartilhar. Seva é uma necessidade existencial.

No Sikh Dharma, Seva não é barganha e sequer quem a pratica espera retribuição. É muito comum para nós humanos reclamar quando o dinheiro não aparece, a despeito de nossas preces. Sim, parece que os seres humanos carregam em seu DNA a propensão de esperar pela retribuição imediata de seus bons atos. É por isso que o Guru Granth nos pede para abandonar o ego quando fazemos Seva, para que assim, a causa se torne maior do que quem se oferece a ela. (Aap gavayay seva karay taa kitch paayay maan…Guru Granth p. 474). Pensamento semelhante ressoa nas palavras de Sao Francisco de Assis: “dando é que se recebe”.

A busca pela gratificação imediata e o sentimento de que só você merece precisam ser transmutados. Isto é o que o Guru Granth diz, e é exatamente isto que os cientistas estão nos dizendo.

Dunn e Norton sao cientistas. O rigor de seu treino para investigar os exime de tender para qualquer religião, credo, costume, tradição, ou visão de mundo. Entretanto, seus experimentos e observações trazem a linguagem e metodologia acadêmica para o que conhecemos genericamente por realidade espiritual.

Ciencia e Seva! Eles se conhecem. Hoje Dunn e Norton exploram a base racional e cientifica da necessidade fundamental da humanidade se ajudar – Seva.

Os fundamentos do Sikh Dharma poderiam ser sumarizados em:

1. Nossa felicidade é inversamente proporcional ao tempo que passamos obcecados sobre nossos próprios predicados na vida;

2. Seva não é algo que fazemos; é algo que somos ou nos tornamos, uma vez que seva é um estilo de vida;

3. Seva é a fonte de todo poder e o caminho para elevar a si e a humanidade; e

4. Seva nunca é uma transação comercial.

O caminho do descobrimento requer tanto a intuição quanto a lógica, sem o qual a experiência religiosa se reduz ao dogma, `a superstição; e a ciência sem a alma, sem o proposito, se reduz ao mecanicismo. Muitos pensam que estas duas grandezas são como duas forças paralelas, que não foram feitas para se encontrar jamais. As coisas estão mudando.

(tradução de SS Guru Sangat Kaur hhalsa)http://www.abaky.org.br/gururamdas/category/kundalini-yoga-e-ciencia/

                                                                                                        Sangatjeet Kaur

Fruto do nosso encontro no curso de Formação de Kundalini Yoga: SEVA

 

A Sangat de Uberlândia está na reta final do curso de formação para professores em Kundalini Yoga nível I.

Em Janeiro de 2013 faremos nosso último módulo em Belo Horizonte.

Foi um ano de muita dedicação, muitos encontros do grupo, muitas práticas e trocas de experiências.

Viajamos juntas para Belo Horizonte, conhecemos o Inhotim (inicio de jornada abençoada pelo Prana especial daquele lugar).

Conhecemos a Sangat do Rio de Janeiro, fizemos alguns módulos juntos, compartilhamos momentos de intenso aprendizado e verdadeira alegria! Amigos queridos de caminhada!

Nos apoiamos e fomos apoiadas pela corrente dourada na construção de nosso ambiente interno e recebemos (recebemos e recebemos) muitas bênçãos!

Conquistamos nossa Sadhana quinzenal no espaço da querida Gun Prakash!

Vibramos por nossa Seva (serviço) com confiança, firmeza de propósito e finalizamos o ano SERVINDO! Sendo a KUNDALINI YOGA o instrumento, embalamos todos os ensinamentos que recebemos nos braços do AMOR e estamos dando vida ao fluxo da nobre sabedoria que recebemos!

Nossa Sangat ( Sangatjeet, Gun Prakash, Dharamdev, Devjan, Sangeeta, Sat Beant, Liv Atma, Guru Nidhan e Prem Pal), com participação especial da Devjan, psicóloga e professora de kundalini yoga, ofereceu as aulas de kundalini Yoga, para o Centro de Convivência da rede Municipal de Saúde Mental da cidade de Uberlândia.

O Centro de Convivência recebe os usuários dos serviços da Saúde Mental para atividades de inclusão social (aulas de dança, caminhadas no parque, artesanato, cinema, etc...).

Nossa proposta foi aceita. Fizemos nosso credenciamento na central de voluntariado e iniciamos no mês de Novembro de 2012, as aulas semanais, distribuídas em dois períodos (Terças - Feiras à tarde, Sexta - Feiras pela manhã).

O espaço que usamos é uma sala no próprio Centro de Convivência que comporta de 5 a 7 usuários por período. Esta tem sido a frequência de alunos que estão inscritos nas aulas de kundalini yoga! É imensa a alegria, satisfação em poder estar com eles, presente neste momento onde o corpo faz seu trabalho e tudo se aquieta. Gratidão!

                                                                                     Liv Atma

O CENTRO DE CONVIVÊNCIA E CULTURA – Prefeitura Municipal de Uberlândia-MG,  tem como diretriz norteadora o desenvolvimento de atividades intersetoriais na interface saúde/educação/cultura/esportes/lazer, etc, que visam a inclusão e reabilitação psicossocial do usuário dos serviços de Saúde Mental. http://www.uberlandia.mg.gov.br/?pagina=secretariasOrgaos&s=65&pg=671